quinta-feira, 9 de abril de 2015

Açúcar não causa obesidade

Tratar a obesidade NÃO É proibir alimentos

Quem conta um conto aumenta um ponto. Você conhece esse provérbio português?
Da maior veracidade (qualidade do que é verdade), essa frase antiga explica a atual confusão no que tange tratar a obesidade (que é bem diferente de emagrecer).  Fiz o post de hoje para responder à duas perguntas em postagens que pediram minha opinião no facebook (certamente você já viu essas 2 imagens por lá, no face, pois foram bastante compartilhadas).

IMAGEM numero 1 parece mostrar a quantidade de açúcar dos alimentos em destaque

















Observemos que as consequências dessa proposta alcançou mais de 11mil likes e 41mil compartilhamentos (até a data de hoje, qdo copiei a imagem):


Você já ouviu dizer que uma mentira contada cem vezes passa a ser uma verdade? Essa frase saiu da experiência profissional de um especialista em marketing. Quem era ele e o que fez com esse conhecimento? Foi consultor do Hitler e eu não vou me estender nessa informação por dois motivos: já escrevi sobre isso 2 vezes, nesse blog, e o foco de hoje é outro.


Considerando o ditado português, e com a total responsabilidade de não ser mais um ser a prejudicar a raça humana, antes de replicar uma informação é fundamental checar:

1. tanto a fonte (acima, quando fui buscar a procedência da imagem) 
2. quanto a fidedignidade da informação (servir-se de sua formação acadêmica (graduação ou pós), de um profissional confiável ou livros básicos (científicos) da área.  

Mas, também vale a pena ler os comentários para uma análise rápida

Esse comentário do Gustavo mostra inconsistência entre a teoria no post (do cartaz) e a realidade (prática) dele. Parece que  ele consome esses produtos e não ficou diabético.  
O comentário dele é bem bacana porque ele é um exemplo vivo de que o diabete do tipo 2 não é causado UNICAMENTE pelo consumo desses tipos de alimentos. A mesma realidade que encontro entre as pessoas obesas que atendo. O PROBLEMA, como temos mostrado nas pesquisas e publicações científicas e não científicas, está na frequência e no volume deles nas refeições diárias. 


O comentário do Neil foi importante para identificarmos que o senso comum são opinões baseadas em análises lineares, rasas, diretas. As pessoas emitem opinião sem reflexão, provocando conclusões fracas e bem ruins (sem saber, obviamente, que poderiam ser melhores). 



A Juliana repete a explicação acima enaltecendo que esse tipo de análise frágil ocorre porque, NA ESCOLA DE BASE, fomos ensinados a raciocinar de forma superficial. Não é culpa dos professores porque eles replicam o modelo de ensino que aprenderam. A solução desse problema é QUEBRAR, INTERROMPER, DESFAZER essa repetição. Como? Vamos ver mais abaixo.



O comentário do Junior foi bárbaro porque destaca a necessidade de usarmos variáveis  COMPARÁVEIS quando temos a ideia de JULGAR (analisar) algo.




Variável é um termo comum da área de estatística para denominar coisas ou atributos ou condições de algo que se quer analisar. A Estatística, um ramo da Matemática, é disciplina comum nos cursos de graduação. Essa condição já explica que tal conhecimento fica restrito a quem tem formação superior. Isso NÃO significa que deve ficar fechada a sete chaves, exclusiva a quem alcançou esse nível de estudos. Ao contrário. Significa apenas que para ser explicada a pessoas de níveis de estudo anteriores a esse, precisa ser feito de maneira cuidadosa e mais simples. Por favor, observe que não escrevi inferior e sim ANTERIOR, pois o faço com a intenção de situar e não de discriminar.  Outra questão é que, embora uma pessoa tenha curso superior pode ser que não compreenda a informação da maneira correta. Isso pode acontecer por não ser da área em questão.

Outro aspecto bacana no post do Junior é que ele escreve a palavra pesquisa entre aspas. Pois ele, como pessoa responsável, está apontando erros de forma cuidadosa.  Não atirar pedras nem dar pauladas é uma postura elegante que mostra respeito e, certamente, receberá respeito em troca. Afinal, só recebemos o que damos! Quer dizer, quem dá pedradas e pauladas recebe...

Para analisar adequadamente o comentário do Junior 
vejamos uma imagem, correta, tirada da internet (clicando na imagem você encontra a fonte):




Além dos valores estarem corretos, a comparação entre as duas bebidas é feita com 200ml de cada. Certíssimo, pois permite analisar não só a quantidade de açúcar mas, também, dos outros nutrientes que cada uma contêm. Com todos eles juntos pode-se concluir que MAIS NUTRITIVO é o suco de laranja e, embora tenha mais açúcar isso não o torna prejudicial como concluiu o comentário do Neil que teve 523 likes... 




Querido(a) leitor(a), muito triste porque não sou patrocinada por uma marca de açúcar, informo que o açúcar NÃO FAZ MAL, como dizem!!Aliás, ele é uma plantinha saudável! Para discordar dessa afirmação você precisa encontrar estudos que mostrem o contrário e, lembre-se: a fonte desse estudo é confiável?  

Se a pessoa quer tomar refrigerante (porque gosta ou porque tem menos açúcar) que tome! Mas que o faça consciente que suas "calorias são vazias". Termo usado para dizer que o valor calórico fornecido não inclui os micronutrientes necessários para o funcionamento do corpo como, por exemplo, o suco de laranja. 

No entanto o refrigerante, não mata nem provoca os danos da imagem abaixo. 
De toda forma, é importante lembrar que a proposta do refrigerante nunca foi ser nutritivo. Assim como não é uma cerveja, uma vodka ou um scotch ou whisky. Na minha opinião é importante pararmos de comparar o incomparável.
Você não acha? 
Infelizmente temos a tendência de incluir tudo no mesmo balaio e "rotulamos como se fossem iguais". Obviamente não tenho problema nessa área que escrevo mas, não se engane, em outras eu tenho o mesmo problema .. Um exercício importante é perguntarmo-nos antes: para que isso serve? E tentar diferencia-los antes de comparar.  Pois, se não pararmos de fazer isso em breve estaremos comprando uma mesa e querendo usá-la como cadeira (ou vice-versa)...


A IMAGEM número 2 parece mostrar que a coca cola 

(ou o refrigerante), é (são) a causa dessas doenças:






Todas as formas de analisar informação, que citei acima na imagem anterior,
 servem para pensarmos sobre essa e vou concluir assim, com base na minha experiência acadêmica e profissional na USP: a informação dessa imagem não é verdade.

As pesquisas científicas NÃO mostram VERDADES mas, sim, respostas para as perguntas dos pesquisadores. Quer dizer, uma pesquisa só mostra "verdade" se o pesquisador que a realizar estiver buscando a verdade...
Para me explicar melhor vejamos essa outra fonte, tb do face:




Clicando na imagem você vai para o texto original e identifica que a conclusão diz assim: "pessoas podem" (engordar)  "se" 

Porque as afirmações não são conclusivas? Já que eles identificaram que as pessoas que tomam o refrigerante diet tem 3 vezes maior volume de abdome do que aquelas que não bebem?


Por causa das "variáveis"!
Não é fácil cercar todas as variáveis para se fazer um estudo científico!! E as conclusões inconcluídas mostram falhas na definição das variáveis que PRECISAM ser feitas PREVIAMENTE. Ou seja, no projeto de pesquisa! No mínimo para que ele seja, realmente, científico.

Então, não é porque existe uma pesquisa sobre um assunto que significa que o resultado encontrado seja uma VERDADE. Aliás, por isso e para que a população seja menos enganada, o raciocínio científico precisa ser conteúdo no processo ensino-aprendizagem formal. SOMENTE ASSIM VAMOS IMPEDIR a replicação do raciocínio raso, não reflexivo.

Quais podem ser as premissas minimalistas 
para se construir um Raciocínio Científico? 
Algo que saia da linearidade, do senso comum? 

O ideal é, sempre, comparar com a realidade. Nesse momento cabe revisitar o comentário do Junior, quando ele coloca a palavra pesquisa entre aspas pois mesmo uma comparação não-científica requer bom número de avaliados. Mas, penso que ele quis dizer levantamento de fatos, dados, opiniões que, como exemplifico abaixo, não é cientificidade mas, ainda assim, é uma forma de análise. Então, cheque na sua realidade, entre seus amigos, familiares e colegas de trabalho:

1. há pessoas magras que tomam refrigerante? (  ) sim  (   )não
2. há pessoas que desenvolveram alguma das doenças descritas nas latinhas que NÃO tomavam refrigerante?  (  ) sim  (   )não

Ao obter os sims e nãos um pesquisador ainda precisa fazer o tratamento estatístico para afirmar algo. Mas, nós mortais que estamos apenas checando a realidade ao nosso redor já começamos a ficar mais alertas com as generalizações! Porém, o pior está por vir:

para um alimento (ou bebida) interferir na composição corporal de uma pessoa 
precisa, sempre, ser avaliado com base em mais duas variáveis:
1. frequência diária;
2. volume a cada frequência;

Em outras palavras, os alimentos industrializados ingeridos em pequena quantidade, uma ou duas vezes na semana, não prejudicam o funcionamento corporal nem proporcionam as doenças citadas.

 Bem, mas, então, onde está "o vilão" dessa história? Nos dois ítens citados:

1. frequência diária;
2. volume a cada frequência;
ou seja, no nosso comportamento DIÄRIO

Contudo, o efeito desses 2 ítens variam nas pessoas 
em acordo com o estilo de vida delas

Tem um filme romântico, lindinho, que já indiquei várias vezes por inúmeros motivos: Wilbledom, o jogo do amor (clique), mas hoje é para mostrar que esse casal, em todos os encontros, comem alimentos ricos em carboidratos, em tamanhos imensos (!!), e com muuuuuuita fritura!

Vc achou isso incoerente? Pois, se eles são atletas deveriam fazer escolhas alimentares "saudáveis"?
Ao contrário...
Pois, justamente por serem atletas usam toda essa energia dos alimentos (rotulados como não saudáveis) nos treinos e jogos. E que treinos e que jogos! Uau!! (fora o sexo, que gasta energia de monte...rs...quando é exigente, óbvio...).


Essa é a realidade da vida desses e de vários outros atletas! 
Qual é a realidade da sua vida?
Qual é seu estilo de vida? É um mais para ativo?

Para ir concluindo esse post, observemos que  não é o "tipo do alimento" que  nos "faz mal" mas, sim, nosso comportamento frente a eles. O pior de tudo é quem fica catequizando pela internet...isso pode, aquilo não pode...pobres das pessoas que acreditam nessas "falsas verdades" virais...

Quando nos atemos a realidade das pessoas obesas o contexto se complica e mais mentiras são contadas...Um verdadeiro caos.


Infelizmente se pensa que a culpa é da mídia e do marketing predatório 
mas esses posts do FACEBOOK têm ressaltado que 
a culpa está sendo compartilhada por pessoas "quase inocentes", 
pois, de maneira bem errada, propagam informações inadequadas na rede!

Como prometi, finalizo com minha manifestação sobre a fala da Juliana e do Neil
(lembra? NA ESCOLA DE BASE, fomos ensinados a raciocinar de forma superficial. Não é culpa dos professores porque eles replicam o modelo de ensino que aprenderam. A solução desse problema é QUEBRAR, INTERROMPER, DESFAZER essa repetição. Como? Vamos ver mais abaixo.) 

Como SOLUCIONAR O PROBLEMA DAS PESSOAS ENGOLIREM REGRAS SEM REFLETIR A RESPEITO? Para auxiliar nesse raciocínio proponho analisarmos a letra inteligente da música da nossa musa Zélia Duncan:



Em uma das estrofes ela diz assim: 
"eu tô estudando pra saber ignorar" 

Não tem saída. Para viver é preciso ter um corpo saudável. Alimentação é base para termos saúde e, como descrito aqui, não dá pra "confiar" esse ítem a terceiros pois ele é ABSOLUTAMENTE pessoal.

Afinal, olha que bacana: podemos tomar refrigerante e consumir alimentos com açúcar e ainda assim emagrecer ou tratar a obesidade! Com satisfação e alegria! Sem desenvolver as doenças e todos os dramalhões que a mídia e as pessoas desavisadas provam por aí sem estudar!

Por que estudar esse tema relacionando-o com os conteúdos escolares?
Porque é somente assim que INTERROMPEMOS, de vez, o processo errado de pensamentos irrefletidos. As crianças que aprenderem a aprender irão ensinar em casa, seus irmãos, pais e familiares. Pronto! Problemas resolvidos! E o melhor de tudo é que TODAS essas informações já estão nos livros e cadernos didáticos! Acredita? Vá lá dar sua olhadela! 


Como estudar esse tema 
relacionando-o com os conteúdos escolares?
Os Educadores que fazem o Curso AENE de formação (completo) para implantar a Pesquisa-ação AENE aprendem exatamente como usar os conteúdos didáticos para discutir essa questão com os escolares. 
Na semana passada estive em reunião com responsáveis da rede Municipal de Ensino de São Paulo e há previsão para começar (gratuito para os concursados) em agosto desse ano! 

O curso para educadores da rede particular de ensino acontecerá no Instituto Perfil Esportivo a partir de 05 de maio (presencial e virtual) e na rede Estadual (também de São Paulo), tem perspectivas de acontecer na Sul 1, em Guarulhos (em acordo com as solicitações dos educadores para o Coordenador Geral).

No instituto Perfil esportivo temos diferentes tipos de atividades para diferentes tipos de pessoas e necessidades justamente para colaborar na interrupção desse irrefletido e encarcerado "pode não pode". As atividades gratuitas tem prazo específico para acontecer e, por isso, é preciso ter um pouquinho de paciência. As atividades particulares (pagas) podem ser adquiridas mais rapidamente mas, o importante, é que todas essas possibilidades, uma vez aprendidas, servem e servirão para a vida toda porque o foco é aprender a beneficiar a existência humana! Humanamente.

Quando estou em uma festa, se não tiver outra bebida, eu tomo refrigerante normal
mas, minha caipirinha eu escolho SEMPRE com açúcar. E você?
Um  começo de noite, saindo da lua cheia, ma-ra-vi-lho-so pra você e pra mim!
#66.054 

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